Michael Jackson em Parintins
Na arquibancada, Eronal assistia, inerte, o Festival de Parintins.
O brilho, o encanto, a beleza do Boi Garantido no Bumbódromo. As garotas bonitas, o vermelho energizando na passarela. a alegria dos bringantes. Nada animava Eronal. A cabeça estava mesmo era nas lembranças de Michael Jacson. Na morte inesperada. Morte inesperada? Teria realmente Michael Jackson morrido? E se fosse blefe? Coisa de mito? Dizem que Elvis também não morreu. Vive na Argentina. Quem sabe o rei do Pop também esteja vivo. O corpo de um sósia agonizando na cama. Michael sumindo no mundo, envolto em disfarces.
Melhor pensar assim. Michael não faleceu . Nenhuma injeção de Demerol matara Michael .
Michael . Michael . Michael . Michael . o Boi garantido no bumbódromo. O Vermelho, a beleza. Não, não, não havia beleza no desfile do boi. Nem tampouco no mundo. Tudo agora era feio. O mundo agora era feio sem Michael .
A toada ecoando:
“Sou vermelho e sou feliz
Sou vermelho e quero bis
De vermelho vou pintar
O meu país...”
Não. Não poderia ser assim! Agora, a letra da músuca não tinha graça. Melhor seria cantar
“ Sou infeliz...”
O boi desfilando. As toadas. As mulheres.O poço, a galera empolgada.
No meio da multidão, Eronal era o único imóvel. Triste macambúzio. Pegou o binóculo, para tentar encontrar um pouco a beleza do Garantido. Mira na arquibancada. Todo mundo pulando. De repente, seus olhos pararam em uma mulher magra cachecol tapando meia parte do rosto branco-amarelado e do pescoço. A mulher parecia atenta ao desfile. Dançava meio tímida como se estive com fortes dores. Tinha um rosto estranho e de sexualidade indefinida. Boca larga, avermelhada, esticada e exótica. Sobrancelha alta e farto. Era um rosto conhecido. De quem, meu Deus esse rosto? De onde conhecia? — pensava Eronaldo.
Mirou o binóculo na passarela. Uma índia linda fazendo coreografia. Os seios duros também pulando. Outros índias dançando. O desfile passando. O Garantido tomando corpo na passarela.
Volta o binóculo para a arquibancada. Procura a mulher estranha. O rosto estranho esbranquiçado. Não, já não era mais estranha. Era Michael Jackson disfarçado de mulher. Só poderia ser! Quem, em meio a este calor , ousaria usar cachecol? Só poderia ser ele! Sim, ela não morrera! Estava ali, bem do outro lado. Vendo o Boi garantido passar!
O binóculo fixo no pretenso astro disfarçado. Percebeu que havia dois negros fortes um de cada lado de “Michael” . Só poderia ser os seguranças. Sim os seguranças! Também estavam com binóculos. Atrás de “Michael “ outro segurança. Estava também de blazer preto. Percebeu que os “seguranças” confabulavam alguma coisa. Um apontava o dedo em direção a Eronal. Agora os seguranças parecia preocupados. Conversavam entre si, depois com “Michael”.
Depois, calmamente, os seguranças e a mulher, que aos olhos de Eronal eram o mega astro morto na quinta-feira, se levantaram, procuram a escada e se dirigiram à saída. Eronal viu que a mulher caminhava com dificuldade. Por vezes, escorava em um dos homens de blazer preto.
Não pensou duas vezes. Levantou apressadamente e em meio ao povo que pulava, dançava e vibrava ao ritmo do Boi, se dirigiu à saída da arquibancada. Era Michael! Ela esta vivinho da silva e ali em Parintins, assistindo ao Boi Garantido!
Tinha que encontrá-lo no meio da multidão.
Haveria de achá-lo. Abraçá-lo. Louvá-lo! Em seguida, o convidaria para comer um delicioso bodó grelhado em casa.
Por Vald Ribeiro
